
Com as Eleições 2026 se aproximando, o debate político tende a ganhar espaço no dia a dia — inclusive nos ambientes de trabalho. Conversas sobre candidatos, partidos e propostas podem fazer parte da convivência entre colegas. O problema começa quando a relação de trabalho é utilizada para pressionar ou constranger alguém por causa de sua escolha política.
A legislação eleitoral proíbe o assédio eleitoral em ambientes de trabalho públicos e privados. Para as Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçou essa vedação em sua regulamentação e, em agosto, firmou um acordo de cooperação com o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Ministério Público Eleitoral (MPE) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) para ampliar as ações de prevenção e combate à prática.
A preocupação não é apenas teórica. Entre 2023 e 2026, a Justiça do Trabalho registrou 738 processos relacionados ao assédio eleitoral, segundo dados divulgados pelo TSE. Nas eleições de 2022, o MPT recebeu cerca de 3,4 mil denúncias em todo o país envolvendo pressões, ameaças, constrangimentos e promessas de vantagens para influenciar o voto de trabalhadores.
De acordo com o TSE e o MPT, a prática envolve coação, intimidação, ameaça ou constrangimento no ambiente de trabalho, presencial ou virtual, com o objetivo de influenciar o voto ou a manifestação política de trabalhadores. Entre os exemplos estão ameaças de prejuízo no emprego, promessas de benefícios, pressão para apoiar determinada candidatura e constrangimento para participar de atos políticos.
Ou seja, ter uma opinião política no ambiente de trabalho não é, por si só, assédio eleitoral. O problema está em utilizar uma relação de poder, hierarquia ou vínculo profissional para interferir na liberdade de escolha de outra pessoa. Imagine um trabalhador sendo informado de que poderá perder o emprego caso não apoie determinado candidato. Ou receber a promessa de uma folga, promoção ou outra vantagem caso manifeste apoio político. Também pode haver pressão em reuniões, grupos de mensagens ou outras situações relacionadas ao trabalho.
Essas são situações que podem caracterizar assédio eleitoral e devem ser levadas a sério. A própria Justiça Eleitoral destaca que nenhuma influência decorrente de relações econômicas, profissionais, hierárquicas ou funcionais pode substituir a vontade individual do eleitor.
“Se o trabalhador sofrer ou presenciar uma situação de assédio eleitoral, deve registrar a denúncia no Ministério Público do Trabalho. É importante não se calar diante de qualquer tentativa de pressionar ou constranger o trabalhador por causa do seu voto”, afirma Wellington Bezerra, presidente do SINPOSPETRO-ES.
Se você sofreu ou presenciou assédio eleitoral no trabalho, registre sua denúncia no Ministério Público do Trabalho (MPT). Sempre que possível, reúna mensagens, áudios, vídeos ou outros registros que possam ajudar na apuração da denúncia.